Empoderamento da mulheres: verdade ou mito?


Empoderamento econômico das mulheres: vieses inconscientes e diferenças culturais.

No dia 3 de Agosto participei do encontro realizado pela Vale, ONU Mulheres e BPW - instituição voltada á promoção do empoderamento econômico das mulheres.

O objetivo do encontro foi o de avaliar os vieses na mente feminina que funcionam como impulsionadores inconscientes (automáticos e impensados) das crenças, necessidades, emoções e comportamentos que impedem uma mudança de posturas e comportamentos que sejam mais favoráveis ás mulheres.

A ideia de discutir os vieses é formidável, pois qualquer mudança permanente de comportamentos indesejados passa pela mudança de crenças irracionais e limitantes. Infelizmente, como ocorre mesmo com os homens, as mulheres estão aprisionadas às suas próprias crenças. São portanto, responsáveis pelas suas próprias limitações.

Cabe à própria mulher descobrir e revelar seus vieses inconscientes para através de uma ação mental consciente mudar crenças que a impede de ampliar sua representatividade e atuação em todas esferas da sociedade.

Entretanto, mudar vieses não é tarefa fácil para ninguém. Para começar, é preciso perceber que ele existe. Os mais difíceis são os estruturais aqueles que fazem parte da programação da mente, depois vem os sociais, adquiridos nas situações vivenciadas pela pessoa. Todos humanos se deparam com certas limitações estruturais adquiridas ao longo da evolução da espécie em relação a certas convenções sociais que são poderosas modeladoras da nossa maneira de ser.

Certas limitações encontradas hoje na mente feminina vêm de quando macho e fêmea ocupavam papéis bem definidos na busca pela sobrevivência e na procriação (distribuição de genes).

Quando mais tarde passaram a viver em grupos desenvolveram comportamentos sociais favorecidos por certas características genético-sociais que antecederam a formação das culturas humanas. É isso mesmo, a cultura é decorrente de impulsos genéticos que favoreciam a sobrevivência pela vida em comum. Tais características na forma de impulsos genéticos, foram passadas geneticamente de geração para geração, mas hoje algumas delas podem já não ter serventia para todas mulheres.

À medida que as sociedades, ou parte delas, evoluíram para um objetivo social mais amplo (bem estar comum, igualdade, respeito individual, etc.) ficou mais fácil de se perceber como muitas pessoas ficam deslocadas em função de suas respostas mais primitivas. Somos um poço de contradições pela complexa e fragmentada mente que herdamos de nossos ancestrais. E é isso que está atrapalhando as mulheres ( bem como os homens) em relação às expectativas de assumirem um papel mais preponderante dentro do mundo socioeconômico. É, o papel da fêmea na busca pela sobrevivência e em particular na ampliação da espécie por milhões de anos não é algo fácil de se livrar.

Mudanças culturais vêm favorecendo e alterando o papel das mulheres frente a uma "nova" realidade social em ambientes evoluídos, como é o caso de algumas, diga-se de passagem, poucas empresas. Estas mudanças são favorecidas pelo fato de que o domínio já não é mais exercido pela força ou pela exclusividade da educação. É favorecida também pelo fato de certos hormônios típicos femininos favorecerem uma liderança mais integradora, mais desenvolvimentista de dar agua na boca aos machões do capitalismo selvagem.

Olhando a quentão numa perspectiva mais elevada, obviamente, continua a maior parte da população do planeta vivendo em ambientes primitivos, onde o papel da mulher-mãe, submissa, rainha do lar predomina.

Quais seriam então as chances das mulheres para transitar num novo modelo comportamental sócio – econômico que está abrindo as portas para aceita-la?

Tudo vai depender da capacidade de cada uma em gerenciar seus vieses primitivos que ainda dominam sua maneira de ser.

Rever seus ímpetos genético-sociais e puramente sociais: suas crenças, expectativas e papeis aprendidos ao longo da infância e juventude. Eliminar principalmente as crenças irracionais, aquelas que não fazem nenhum sentido, e as limitantes que impedem a ação que podem torna-las mais completas e felizes.

O estudo dos vieses femininos que atrapalham a integração da mulher no mundo do poder socioeconômico é por certo um tema que merece ser estudado. Por outro lado, nada impede um bom exercício de reflexão para aqueles desejosas de se livrar de amarras genéticas e culturais limitantes. Mas lembre-se o desafio é o de ser uma nova mulher sem deixar de ser mulher.

Fico pensando numa outra alternativa, que sei ser muito mais complexa que o autodomínio de cada mulher e de todas elas em conjunto. Quem sabe, outra maneira de se pensar no assunto, seria a de redesenhar o nosso modelo

socioeconômico tão destrutivo, e que afinal já vem se mostrando imperfectivo para a construção de uma sociedade melhor e adapta-lo a novas premissas mais ao gosto e possibilidades femininas.

Quem sabe!


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